Por ter cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro e a vaga na libertadores muito longe, o time do Vasco é motivo de preocupações. O Vasco, que tem por base o engenho e a arte do jogador Juninho Pernambucano, não merece estar passando por esse estado de coisas. De fato, ao pensarmos que o Estádio de São Januário já foi palco de eventos marcantes na vida nacional do Brasil, tais como os comícios do dia 1º de maio na Era Vargas e a apresentação dos corais estudantis regidos por Villa-Lobos, hoje amarga uma situação complicada para um clube que soube ser o primeiro a aceitar negros no seu time de futebol. Ouvir as justificativas desses fracassos não convence ninguém, mormente quando o Presidente do Vasco é o ex-jogador Roberto Dinamite, que clama aos quatro ventos que atraso no pagamento dos salários devidos aos jogadores “não interfere no campo” (O Globo, Esportes, 31.10.2012). Foi o que o Presidente do Vasco declarou com veemência: “Dizer que o pessoal está desanimado em razão do atraso do salário? … Isso é uma coisa que vem de fora para dentro e atrapalha o astral dos jogadores.” Então o que é preciso ver, de acordo com o que Roberto Dinamite diz de maneira tão enfática, é como equacionar esses deslizes tão constantes nos jogadores do Vasco.

Falei num post anterior da influência da heterogeneidade da composição de um time em seus reflexos nos resultados dos jogos. Ao comparar com o que acontece com a obra de Picasso observa-se, segundo Meyer Schapiro (A Unidade da Arte de Picasso, pp 43-44), o modelo de uma unidade alcançada por meio de um alto grau de compacidade, força e estabilidade monumentalizadas. É uma idealização de segurança. A segurança ali manifesta deu-se com a relação familiar vivida por Picasso na relação mãe-filho, da relação de amizade, de um tipo de comunicabilidade entre dois indivíduos.

Há, portanto, um fato concreto no Vasco que desestabiliza a harmonia no campo, ainda que essa seja conflitual, como diz Michel Maffesoli (Homo Eróticcus, 2012) sobre a vida de relação, fortemente marcada pela diversidade social irregular, especialmente fragmentada. Mas a sua heterogeneidade se apresenta paradoxalmente pertencendo à realidade.

Esses aspectos devem ser do conhecimento dos jogadores para alcançar um resultado mais digno em campo. Havia anteriormente no Vasco uma estabilidade maior, uma constância nos resultados e uma regularidade que repercutiam na qualidade das suas atuações. Em alguns casos Mozart com o seu Concerto nº 41 em dó maior torna-se oportuno para servir de exemplo de como se pode lançar mão de uma escala tonal. Em sons magistrais o compostor cria uma espécie de berço de uma polifonia extraordinária que é composta de diversas linhas melódicas que se sobrepõem. Assim o vigor criativo exacerbado dos jogadores em campo merece ser acionado e eclodir de maneira delirante no jeito que a orquestra executa o final do concerto de Júpiter. O Vasco merece ser o deus dos deuses. A ideia do técnio do Vasco, Marcelo Oliveira, seria reanimar o time para enfrentar o Sport em São Januário. A solução seria dar maior destaque no time ao ataque, seria dar chance a alguns jogadores. Éder Luis, Tenório e Alecsandro são grandes esperanças par ao time não sair de campo sob vaias. O que se viu na sexta derrota seguida do Vasco. Desta vez, jogando em casa, perdeu de 3 a 0 do Sport.

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