Renato Maurício Prado – O Globo – Esportes – Domingo 17.8.2014

Curiosa a situação de Ronaldinho Gaúcho. Apesar do “renascimento” no Atlético Mineiro, com atuações espetaculares na Libertadores de 2013, ninguém no Galo se incomodou quando ele resolveu sair, no mês passado, ainda com contrato em vigor (já vinha sendo sistematicamente substituído pelo técnico Levir Culpi e nem de longe lembrava o craque decisivo do ano passado).

Sua liberação tampouco provocou alvoroço no mercado: houve informações de uma negociação com o Fluminense (oficialmente negada), falou-se numa possível ida para o futebol americano e, agora, sabe-se, ele foi oferecido a Santos e Palmeiras – na Vila Belmiro, teve o nome vetado por Zinho; no Parque Antártica, discute-se a possibilidade de um contrato de produtividade, com um salário fixo bem menor do que ganhava em Minas.

Que o Dentuço, se quiser, ainda pode jogar um belo futebol, ninguém duvida. O problema é saber se ele ainda quer… Mordido pela maneira como saiu do Flamengo (quando chegou a ser dado como acabado), Ronaldinho deu a resposta no Galo. Mas, este ano, parece ter voltado a se entregar à vida boêmia, e aquele futebol mágico desapareceu.

Multimilionário, ele não precisa ganhar mais nenhum tostão, embora seu irmão e empresário, Assis, continue a tentar fazê-lo faturar. Mas o que ainda pode levar Ronaldinho Gaúcho a se motivar de verdade para voltar a encarar o mundo da bola com um mínimo de profissionalismo?

Decifra-me ou devoro-te. Eis o enigma do Palmeiras ou de qualquer outro interessado nessa autêntica esfinge do futebol que é o Dentuço. Pra mim, seu melhor destino seria memso os EUA. Lá, ninguém lhe cobraria nada, e qualquer embaixadinha ou trivela faria levantar a arquibancada.

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