Renato Maurício Prado – O Globo – Esportes – Terça-feira, 26.8.2014

Nem o mais otimista dos rubro-negros esperava tanto. Nem Vanterlei, em seus sonhos mais delirantes. Seis jogos, cinco vitórias (quatro consecutivas) e uma derrota. Aproveitamento de 83,3%! O Flamengo era o lanterna do campeonato quando o técnico assumiu. Já está em décimo primeiro, a cinco pontos da zona de rebaixamento e a nove do G-4. O que acontecerá daqui pra frente?

É recomendável cautela nas expectativas – e Luxemburgo é o primeiro a defender a postura de pés no cháo e foco na fuga do rebaixamento. Está certíssimo. Numa avaliação isenta de paixão, são evidentes as limitações do elenco rubro-negro. Impossível compará-lo aos melhores do Brasileiro, como Cruzeiro, São Paulo, Internacional, Corinthians e Fluminense. E além dos cinco primeiros, também Atlético-MG, Grêmio e Santos são, no papel, superiores ao Flamengo. A partir daí, não, o que tornava absurda a posição que o time ocupava até a chegada do novo treinador.

Mas, afinal, o que fez Vanderlei? Em primeiro lugar, conseguiu devolver a confiança ao grupo. A imagem do saco de cimento nas costas (além de ser uma jogada de marketing) acabou fazendo com que todos se motivassem para se empenhar mais nos treinos e nos jogos, acreditando nas palavras do técnico que lhes garantia que, com o trabalho dobrado, os resultados viriam. E a vitória sobre o Botafogo, no primeiro jogo sob a nova direção, ajudou um bocado no aspecto psicológico.

Além disso, em termos táticos é possível ver uma preocupação bem maior na parte defensiva. Zagueiros jogando com seriedade (sem enfeitar ou se mandar para frente); muita gente marcando no meio-campo; ajuda dos homens de frente, ocupando espaços e combatendo, e doses elevadas de suor, durante os 90 minutos.

Mas não doi somente na estratégia que o Fla evoluiu. Alguns jogadores têm contribuído significativamente para a ascenção técnica: Canteros (que ainda erra alguns lançamentos, mas impressiona pela desenvoltura no apoio e a eficiência nos desarmes), Lucas Mugni (sempre que entra no segundo tempo) e o brasileiro naturalizado croata Eduardo da Silva, que marcou três gols decisivos nos últimos quatro jogos, se destacam. E é justo ressaltar ainda o desempenho de Éverton, um dos melhores desde que Luxemburgo assumiu.

Nem tudo, porém, são flores. Contra o Atlético mineiro, o treinador errou ao escalar quatro volantes (e nenhum armador) no meio. Eduardo e Mugni o salvaram no segundo tempo. Não dá pra entender, também, a insistente escalação de Arthur como titular – apesar do elogiável esforço em campo, não acerta nada. Mas, como o técnico afirma que o brasileiro croata ainda não tem fôlego para 90 minutos, a torcida terá que rezar pela volta de Alecsandro ou a estreia de Élton, que está longe de ser craque, mas melhor que Arthur é.

Independentemente disso, no balanço geral desse início de trabalho é inegável o sucesso de Luxemburgo – que há sete temporadas não realizava campanhas à altura da fama que chegou a ter de melhor técnico do Brasil. Agora é esperar o desenrolar do campeonato. Por enquanto, Vanderlei vem fazendo muito bem ao Flamengo, assim como o Flamengo o ajuda a recuperar o prestígio perdido. A conferir as cenas dos próximos capítulos.

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