Galeria de Artes Multifárias

Até bem pouco tempo uma Galeria era sinônimo de lugar que artistas plásticos tinham à sua disposição para expor os seus trabalhos e comercializá-los. Esse sentido continua existindo, mas engloba uma bem maior complexidade, tendo em vista que aquela ideia de que os produtos de troca no campo da arte deixaram de ser reduzidos às artes visuais, às esculturas e assim por diante. Isso quer dizer que é preciso dar à Galeria um conteúdo de troca, mas, ao mesmo tempo, reconhecer que ela carrega em nossos dias propósitos pedagógicos decorrentes das formas que as artes alcançam ter na atualidade. A diversidade de formas que a arte ou melhor as artes expressam torna necessário, não raramente, investir no preparo dos frequentadores da Galeria e também dos seus possíveis interessados em adquirir obras de artes. Tratei dessas transformações que atingem o que é Arte e dei a essas manifestações a determinação de multifárias (Zoladz, Z Cultural. Revista digital do PACC-UFRJ). A curadoria desse número da Revista a convite de Heloisa Buarque de Hollanda, coordenadora do PACC-UFRJ, ensinou-me muita coisa, inclusive que as artes não estão a reboque desses meios comunicacionais novos, novíssimos como é o caso do blog Na Zaga e Nas Artes que se dispõe a contar com uma Galeria na programação de seus posts. Nela serão mostradas as formas expressivas que têm a ver com os conteúdos delineados nos campos do futebol, artes entendidos como jogo que orientam e sinalizam os assuntos até aqui tratados. Desse modo, o que será mostrado na Galeria propõe-se lançar um olhar poético, mais sensível sobre a ação que se desenrola no jogo, jogadores. Enfim em tudo que as artes multifárias demonstram ser capazes de suscitá-lo. Isso quer dizer que há na Galeria das artes multifárias um espaço para a pintura planar, como bem demonstrou Cildo Meireles na sua instalação denominada “Desvio para o Vermelho”. As artes multifárias revelam essa plasticidade como nos ensina o poeta Ferreira Gullar ao fazer compreender porque as artes são necessárias. Como ele mesmo diz: porque a vida não cabe. E não é suficiente para clarear as contradições, os paradoxos que se acham nela presentes. É preciso dispor de um equipamento mais amplo para resolver tais dilemas em nossos dias. E as artes explicam e promovem esse entendimento. É como Michel Maffesoli nos ensina (Homo Eroticus, 2012, p.33) “Escutar os poetas tal como Apollinaire que, mais dionisíaco que apolíneo, falava de uma “razão ardente” bela expressão, se ela, sublinha esta capacidade de integrar ao mesmo tempo reflexão e sensação, pensamento e pathos”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s